O Conde de Cotarrah

Histórias do Conde de Cotarrah | Histórias que parecem mentira...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Estará Lisboa na origem da calhandrice?

Devo dizer que estou farto destas citações de estrangeiros supostamente civilizados que vertem para escritos mais ou menos obscuros e sem interesse as suas impressões sobre o Portugal do sec XVIII.
Ora o que é facto é que quando, nesse mesmo sec. XVIII o Senhor D. João V  estava a acabar o Teatro mais moderno do Mundo, o do Tejo, que desapareceu com o Terramoto de 1755,(perto do actual Arsenal) ainda havia antropofagia na supostamente civilizada Suiça.
E quando o Marquês de Pombal estava a acabar a rede de chafarizes públicos que serviu até ao sec XX,  as redes de esgotos, na sua versão moderna, ainda não tinham sido inventadas e portanto não existiam em nenhuma parte do Mundo.
Ou seja os ingleses, de onde vêm estes peralvilhos convencidos descendentes de piratas, andavam nas suas cidades e aldeias, nomeadamente em Londres, literalmente a pisar merda. Situação que deixaria incomodado qualquer romano e se calhar qualquer babilónio. Nâo falando é claro no modo como se resolviam as questões sanitárias nos jardins de Versailles ao tempo do Rei Sol, e no que era, talvez por falta de escravos, do ponto de vista da limpeza, a Inglaterra nos secs XVII , XVI e anteriores, quando em Vilar de Perdizes o respectivo Paço, no perdido Barroso, já tinha uma casa de banho desde o sec. XVI.

Dir-se-á que a memória é curta e que tendo progredido imenso depois da Revolução Industrial esses europeus estão hoje  compreensívelmente esquecidos ou ignoram mesmo esse seu passado digamos menos limpo.
Mas os ditos holandeses que tanto limpam as suas casas continuam a entrar nas nossas com sandálias e meias altamente suspeitas e de que convém não investigar o cheiro. E quando vivíamos em Haia a nossa senhoria queria que a minha mulher, tomasse banho uma vez por semana, que ela achava que chegava muito bem e devia ser o que ela própria fazia.
Aliás a nobreza austríaca, dizem-me vários amigos, que me abstenho de identificar mas que são casados com filhas dela, ainda hoje não toma banho, pelo menos com a frequência desejável. Também o consumo de água doméstica ainda hoje no UK é muito inferior ao de Portugal que está muito próximo dos níveis americanos. E não é, em Inglaterra, por falta de água.
A água da laguna de Veneza é o que sabe, a da rede em Paris não é potável, e o nosso ilustre viajante, para descanso dele, não viveu para ver o que se passa actualmente em Nápoles com o lixo. Mas não devia ser melhor no sec. XVIII.

Falo é claro como ex-engenheiro sanitário que teve que se interessar por razões profissionais, mas também com uma curiosidade entre o surpreendido e o mórbido, por esta coisa da higiene humana.

Seja como fôr a maioria dos supostamente civilizados europeus são apenas, pelo menos no que respeita ao asseio próprio, uma data de bárbaros com um verniz de civilização com pouco mais que 2 séculos.

Talvez valesse a pena para pôr os pontos nos iis e acabar de vez com esta parvoíce, escrever uma "História Comparada da Porcaria na Europa".